Ensino Profissional ?! Quero é ir para a universidade!

“O sistema de educação em Portugal não funciona, não utiliza ensino profissional no secundário como uma mais-valia técnica para ingresso nos institutos superiores politécnicos.

Anda o Ensino Profissional desligado do Ensino Superior? É assim que a estrutura do ensino em Portugal viveu e vive, nos dias de hoje, a qualificação profissional. Pela Europa, o sistema de ensino profissional é valorizado e está há muito tempo ligado aos institutos de ensino superior, de forma a garantir uma melhor gestão de recursos e também de aprofundamento dos conhecimentos técnicos e específicos de diversas áreas, funcionando como um instrumento gerador de riqueza nas economias dos países. O ensino profissional está vocacionado para a aprendizagem técnica de uma profissão, complementando essa aprendizagem com formação científica e cultural.

Aqui está o cerne da questão. O sistema de educação em Portugal não funciona, não utiliza ensino profissional no secundário como uma mais-valia técnica para ingresso nos institutos superiores politécnicos. Com alunos do ensino profissional a candidatarem-se às universidades, teríamos melhores técnicos e alunos a frequentarem licenciaturas nas áreas técnicas do ensino superior como engenharias, etc. Encontraríamos, por exemplo, engenheiros e outros técnicos a saírem das universidades com elevado “know-how” e não jovens que acabam as suas licenciaturas sem qualquer instrumento e conhecimento de poder/saber aplicar os seus conhecimentos. Engenheiros que, infelizmente, somente sabem fazer cálculos e nada mais do que isso.

Conquanto, o sistema de ensino português não faz esta ligação, para que esta passagem do profissional para o superior possa ser uma realidade concreta. Um aluno que termine o secundário no profissional, mesmo com equivalência ao 12.º ano, está em total desigualdade com um aluno do ensino regular em caso de progressão de estudos superiores, não tem preparação científica suficiente para a realização de exames nacionais. Um sistema de avaliação que unicamente está vocacionado para alunos do ensino regular, e não valoriza aos percursos escolares. Depois, há uns senhores que se queixam que o número de candidatos ao ensino superior não são suficientes, outros tantos que dizem que gastamos muito na Educação Pública e nos Politécnicos.

Uma ideia: os cursos profissionais das áreas técnicas estarem ligados aos institutos politécnicos. Assim, cursos profissionais, por exemplo, na área automóvel estariam ligados às licenciaturas nessas áreas, Engenharia Mecânica, Electrónica, Automóvel, etc… Existiria um regime especial, para estes casos, no acesso ao ensino superior politécnico, através de uma avaliação ao perfil profissional de quem se candidatasse. Poupa-se recursos e meios, na articulação das escolas profissionais com o ensino superior politécnico. Assim teríamos menos despesa na Educação. Teríamos licenciados com formação científica e técnica com a tão necessitada capacidade de empreendedorismo: a do saber e a do fazer.

Fazíamos a reforma do Estado, “irrevogavelmente”.”

Artigo de opinião originalmente publicado por Leonardo Ferreira no P3.

Comentar o artigo

O nosso conteúdo é gratuito!

Disponibilizamos o nosso conteúdo gratuitamente, considere desativar o seu adblocker.

Refresh